Biblioteca Central

HISTÓRICO

As brumas do tempo envolvem a criação da biblioteca central. Na reconstrução da sua memória institucional, há hiatos a serem pesquisados, todavia, apesar das lacunas, fragmentos sobreviveram ao tempo. revelando a história de dedicação de mulheres e homens que a construíram em seu primeiro centenário. Não podemos perdê-la nem esquecê-la, tão somente preservá-la para o futuro.

Sua história remonta aos primórdios da criação das Escolas Superiores de Agricultura e Medicina Veterinária “São Bento”, pelos Monges Beneditinos, no ano de 1912, em dependência anexa ao Mosteiro de São Bento em Olinda, Pernambuco, ano do lançamento da pedra fundamental das Escolas que originaram a atual Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

A biblioteca foi uma das primeiras ações dos Beneditinos para o funcionamento das Escolas. Seu acervo bibliográfico começou a ser formado a partir de 1913 para atender às bibliografias das disciplinas dos cursos ali ministrados. Naquele ano, foi eleito para primeiro "bibliothecario" de ambas as Escolas o Monge Beneditino alemão D. Tito Dobbert, O.S.B, professor de Zoologia e Entomologia, reeleito em 1914.

Os anos de 1917 a 1935 continuam obscuros quanto à biblioteca e referem-se ao período da mudança da Escola de Agricultura para o Engenho São Bento, em Tapera, no Município de São Lourenço da Mata, enquanto a Escola de Medicina Veterinária continuou em Olinda. Nesse meio tempo, em 1926, a Escola de Medicina Veterinária encerrou suas atividades. Até o momento, não dispomos de informações sobre se esses acervos foram agregados, provavelmente, sim, contudo, faltam os registros.

Em 1936, o governador Carlos de Lima Cavalcanti fundou a Escola Superior de Agricultura de Pernambuco (ESAP), desapropriando a Escola Superior de Agricultura “São Bento” com todos os seus pertences. No ano de 1938, através do Decreto nº 82, a ESAP foi transferida para o bairro de Dois Irmãos, no Recife, passando a ocupar o moderno conjunto de prédios anteriormente projetados para abrigar o Reformatório de Menores, adaptados para o funcionamento da Escola (atual prédio central da UFRPE), que anexou o Instituto de Pesquisas Agronômicas (IPA), a Escola de Química Industrial, o Curso de Economia Doméstica (ensino médio), a Granja de Dois Irmãos e o Jardim Botânico. Nas novas instalações, a biblioteca passou a ocupar uma área de 229 m² no pavimento térreo do prédio central da ESAP.

Durante anos, a Biblioteca foi denominada Biblioteca da Universidade Rural de Pernambuco (B-URP). A partir da federalização da Universidade através do Decreto nº 2.524, de 04/07/1955, combinado  com a Lei nº 2.920, de 13/10/1956, passou a denominar-se Biblioteca da Universidade Federal Rural de Pernambuco (B-UFRPE). Na época, foi firmado um acordo bilateral entre a URP e o IPA, denominado Acordo IPA-URP, favorecendo o intercâmbio técnico e científico entre as duas instituições. Atendendo a esse acordo, a biblioteca passou a agregar os acervos da URP e do IPA. Dessa forma, passou a funcionar com acervos adquiridos por ambas as instituições, sendo conhecida por alguns como biblioteca do IPA e por outros como biblioteca da URP.

Em 1955, a URP contratou uma bibliotecária. Dois anos mais tarde, em 1957, com a contratação de mais duas bibliotecárias, acelerou-se o tratamento técnico das coleções, buscando-se o novo conceito de biblioteca como centro de estudo e pesquisa e serviço de documentação.

Em 1962, após o encerramento do Acordo, o Conselho Universitário da URP, atendendo solicitação do IPA, nomeou, através da portaria nº 38, de 98/fev./1962, uma comissão formada por dois professores e uma bibliotecária, responsabilizando-os pela devolução de todo o acervo de livros e periódicos do IPA à biblioteca do IPA.

Até o ano de 1967, a biblioteca funcionou ligada à reitoria, atuando como órgão auxiliar da administração. No reitorado do Prof. Humberto Carneiro, com a reestruturação administrativa e o novo Regimento da Universidade, a partir da Resolução nº 93 de 03/11/1975, a biblioteca passou a órgão suplementar, subordinada à vice-reitoria, adotando o modelo de biblioteca central monolítica, centralizando todo o acervo informacional do campus em seu espaço, servindo de suporte aos Departamentos de Ensino e denominando-se, a partir de então, Biblioteca Central da Universidade Federal Rural de Pernambuco (BC-UFRPE).

Em 1976, a reitoria, atendendo às constantes reivindicações da equipe da biblioteca e, diante da demanda da comunidade acadêmica, mudou suas instalações para o prédio reformado para se adequar ao acervo e serviços no espaço onde anteriormente funcionava o Instituto de Ciências Humanas. Anteriormente ocupando um espaço de 229 m², passou a funcionar em área construída de 1.026 m², incluindo o jardim externo e o jardim interno, uma convidativa área de convivência em funcionamento até os dias atuais.

Em 1978, a Administração Superior da UFRPE, prestando homenagem póstuma ao Professor Mário Coelho de Andrade Lima, criador da coordenação geral de pesquisa no ano de 1974, falecido em 21 de fevereiro de 1976, o elegeu Patrono da biblioteca, que passou então a denominar-se “Biblioteca Central Professor Mário Coelho de Andrade Lima”. Historicamente, porém, pela tradição de tantos anos, a biblioteca, até os dias atuais, é mais conhecida como Biblioteca Central da Universidade Federal Rural de Pernambuco (BC-UFRPE).

A partir de 1980, suas instalações foram ampliadas em mais 2.000 m² através da construção de um anexo projetado especificamente para a biblioteca, composto por 03 pavimentos, ocupando desde então uma área física de 3.000 m².

Nas décadas de 1980 e 1990, a biblioteca central investiu na ampliação e capacitação dos técnicos e servidores administrativos e ampliou o acervo de livros nacionais ao participar do Programa Nacional de Bibliotecas Universitárias (PNBU) da Secretaria de Ensino Superior do Ministério de Educação. Disponibilizou aos usuários além do empréstimo e consulta local, outros serviços, tais como comutação bibliográfica (COMUT), visitas orientadas, levantamento bibliográfico, cursos de orientação bibliográfica, etc. Atuou como partícipe do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ao ofertar e supervisionar estágio para seus alunos e coordenou o Grupo de Bibliotecários Agrícolas de Pernambuco nos anos de 1979 a 1983.

Em 2005, foi iniciado o processo de informatização do acervo com a implantação da intranet. A informatização total do acervo e serviços foi concretizada no ano de 2008.

O ano de 2012 chegou trazendo novidades. Informatizada, agregou à sua rotina a modernidade tecnológica e virtual, adotando as novas ferramentas que proporcionam maior rapidez no acesso à informação técnica e científica, especialmente, serviços e bases de dados online, além das redes sociais.

Apesar do contexto tecnológico, abraçou a causa social, criando o Projeto Multa Solidária em substituição ao antigo formato para pagamento da multa pelo atraso na devolução das publicações. Reconhecida e aprovada pela comunidade acadêmica, a multa solidária foi oficializada através da Resolução nº 01/2013 pelo Conselho de Curadores.

Em 2014, mudou seu paradigma ao criar o Sistema Integrado de Bibliotecas da UFRPE (SIBI-UFRPE), transmutando seu papel de centralização para o de coordenação técnica do grupo formado pelas bibliotecas das Unidades Acadêmicas e pela biblioteca do CODAI.